domingo, 23 de agosto de 2009

"Sente aqui. Antes é preciso acender um cigarro, preparar um café quente misturado a uma bela dose de cognac, para que eu te diga: tenho uma gaveta cheia das feiúras. Você precisa saber. Pois saiba, eu demoro a acordar, quase sempre sou preguiçosa, preciso sempre de dez minutinhos a mais que se transformam em 30, e estou sempre atrasada. Durmo com uma tonelada de cobertores até me sentir sufocada, e depois de acordada… já de pé…hum… levo uma, duas horas para realmente acordar. Fico meio besta, sabe? Lenta. Não, não… não mal-humorada. Lenta mesmo. Tipo sonâmbula. E, sempre, veja bem, sempre tomo café da manhã. Coisa simples, geralmente uma xícara imensa de café puro, e pão, e queijo, e manteiga. Nada de margarina. Gosto de manteiga.
Ando de meias pela casa até que fiquem pretas. Se estiver em casa passo o dia de pijama – e os pijamas, afe! tenho talento peculiar para escolher os mais horrorosos. Se estiver chovendo geralmente fico manhosa. Se estiver de TPM choro algumas dezenas de vezes. E não adianta perguntar o por quê, não saberei responder. Se o fizer, vou mentir. Algumas vezes tenho vontade de morrer. Ela quase sempre desaparece depois que como chocolate. E, às vezes, todo o resto que estiver na minha frente. E se você estiver perto e não segurar a minha mão ou não me der abraços apertados várias vezes ao dia, vou me sentir triste, e chorar outra dúzia e meia. Posso te proibir de sair de casa se achar que você vai ser atropelado ou assaltado. Se você insistir, escondo as chaves. Não leio manuais de instruções. E costumo rever filmes que gosto no mínimo dez vezes.
Posso querer discutir sobre a extinção dos pandas às 4 da madrugada, depois de um sonho qualquer. Acordo para anotar coisas. Faço xixi umas três vezes por noite. E tropeço na ida e na volta, sempre, em alguma coisa. Quase sempre adoro conversar. E isso pode ser um problema também. E, ouvir música de luzes apagadas deitada no chão da sala. Gosto de escutar o que o silêncio me diz, então, ficarei quietinha muitas vezes. E é melhor não se aproximar muito quando eu estiver lendo sob a pena de ser acertado por algum objeto voador não identificado. Mas vou gostar de ler ao seu lado. Impreterivelmente vou tomar café com leite, bem quente, antes de dormir.
Tenho talento especial para a bagunça. Enrolo para lavar a louça, esticar a cama ou ajeitar as coisas. Esqueço o dia da lavanderia. De pagar as contas. Não me lembro facilmente de nomes ou feições das pessoas e sou a rainha dos foras. Atraio seres humanos esquisitos, e situações fora do normal não são raras de acontecer comigo. Sempre acho que esqueci o ferro de passar ligado e que vou incendiar o prédio. Tomo banhos demorados. Uso muita maquiagem e tenho preguiça de tirar à noite, então, não será díficil que vez ou outra você acorde com o bozzo ao seu lado.
Devo morrer cedo porque sou sedentária. Sou teimosa. E tenho celulite, pintinhas e crises alérgicas. Gosto de tomar pilequinhos e geralmente brigo com o sono. Prefiro ficar acordada. Infinitamente prefiro a noite ao dia, e fico mais esperta durante às madrugadas. Vou pedir para ir em programas esquisitos, que você sabe que são uma furada, mas, ainda assim vou querer ir. Se você não for, vou mesmo assim. Vou querer usar seus moletons e pedir para fazer sexo em lugares improváveis. Não será raro cometer alguma loucura nesse campo – do vestuário ou sexual. Vou sair de blusa de frio mesmo no calor. Eu já nasci com frio. E vou chorar para você esquentar meus pés antes de dormir. Ou certamente dormirei com aquelas meias engraçadas de dedinhos. Se assistir filme de terror certamente passarei três dias com medo de espiões ou de seres extraterrestres ou de zumbis, mesmo sabendo que eles não existem. Se você me fizer ver a menininha do exorcista então serão, no mínimo, 15 dias de acompanhamento às minhas idas noturnas ao banheiro.
Vou planejar mil viagens, mil concertos, mil teatros, mil passeios – mesmo que eles não aconteçam. Vou planejar a vida com você, mesmo que essa vida nem exista. Vou ser chata muitas vezes. E, ficarei entediada. Mas, passa. E você não poderá me fazer cócegas – a não ser que queira receber um duplo twist carpado sabe-se lá deus onde."

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