quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"Nunca morri, nem tampouco me sinto fortalecida. Então vamos brincar de ser gente adulta, vamos nos reunir e beber. Falar de como somos crescidos, independentes, de como é sofrida a vida na cidade grande, e de como vencemos no auge da nossa pós adolescência tardia. Celebrar nossas pequenas misérias com champagne barato, flores de plástico e maconha seca. Vamos invadir nossas privacidades e nos amar pelo mesmo motivo que nos odiamos. Encontraremos conforto em antigas teorias que nos dizem o mundo em léxicos enfeitados. Brindaremos ao amor, ao tesão, ao dinheiro como se, de fato, os tivéssemos. Vamos rir de nós mesmos. Vamos rir do vizinho pelado e seu pau pequeno, das putas flácidas e desdentadas, do solitário e ranzina dono da banca de jornais. Vamos rir sem culpa. Dançaremos ao som de músicas que nos preenchem algum espaço vazio cuja existência desconhecemos. Nunca estivemos errados, nem tampouco certos. Então vamos."
Acho que tá na hora de acabar com esse espaço vazio. E substitui-lo por alguma outra coisa.
Nunca estivemos errados, mas tenho que repetir: tampouco certos.
As vezes é sensação que eu vivi tanto que fui deixando pedaços por ai. Tem vezes que simplesmente acaba não valendo a pena.
Arriscou-se demais por muito pouco, em termos de vida. E agora o peso tá ai, pra ser carregado por uma eternidade.
Muitas vezes na vida a gente se encontra em encruzilhadas indesejáveis. Encruzilhadas daquelas em que coração e mente não se encaixam, e você acaba obrigado a escolher entre algum dos dois, simplesmente porque não há meios de se fazer de outro jeito.
O coração quer desejar, quer continuar criando fantasias, quer continuar vivendo na doce amargura do conquistar. Mas a mente, sempre mais fria, pé no chão, sabe que não há futuro nenhum nisso. A cabeça sabe que é só ilusão, e que quanto mais a situação se estende, maior vai ser a queda. O coração, bravo e corajoso, tenta compreender, e sempre achar uma saída para prolongar o sentimento mais um pouco.
Mas chega um momento que essa diferença entre os dois começa a atingir um ponto insustentável. Não insustentável porque dói ou porque machuca, mas porque simplesmente não há mais meios de se continuar. Os motivos podem ser inúmeros, uma traição, uma facada, uma queda ou até mesmo descobertas. Chega um ponto em que a mente se convence de tal forma que ela passa a contagiar o coração.
A encruzilhada acontece bem no momento em que até mesmo o coração vê que tudo aquilo que está sentindo não pode ser compartilhado, não terá retorno, por mais corajoso que ele seja em dar a cara a bater.
Existem corações tão calejados por esse mundo que eles perdem a vontade de ser amados. Muitas vezes o sentimento ta lá dentro, gritando pra sair, mas a dor já foi tanta que ele prefere se fechar pra qualquer carinho que chegue perto pelo simples medo de passar por tudo aquilo novamente. E ai não importa o tamanho do carinho oferecido, ele dificilmente encontra terreno para desabrochar.
São nesses momentos decisivos de descobertas assim que os outros corações, os corajosos, decidem retroceder, e ir cedendo aos pouquinhos ao que a mente quer mostrar. Eles optam por respeitar o coração alheio, e entender, mesmo que com muita dificuldade, que eles simplesmente não conseguem ir adiante. Que não existe maldade ou nada mais naquele coração fraco, ele simplesmente se machucou demais e essa é sua forma de se defender.
Às vezes eu acho que sim. Às vezes eu me convenço tanto do “sim” que começo a viajar por horas imaginando e criando a nossa vida de “sim”. Começo pensando no tempo que a gente vai gastar dando risada, lembrando da época que a idéia do “não” assombrava a nossa vida.
A nossa vida de “sim” seria divertida. Teria fluxo, um movimento tão gostoso e tão bonito que iria até fazer inveja por ai. Teria música boa, isso com certeza. Teria risada atrás de risada. Seriam dias de bebedeiras e discussões políticas e filosóficas das mais intensas. Seriam dias de amigos por todos os lados, noites com muita dança e ressacas monstruosas no dia seguinte. Teríamos manhãs de pijama, conversando e rindo no colchão durante uma parte de tempo para ver se o dia começa melhor. Teríamos viagens atrás de viagens, e sempre as mais divertidas do mundo. Viagens pra gente rolar na grama, correr no mar, ficar maluco até dormir no chão da sala de estar ou até roubarem os nossos colchões. Seriam dias de conversas longas durante uma madrugada inesperada. Dias de revelações baseadas em uma confiança tão bonita. Dias de leituras sobre bacanais, drogas, bebedeiras e, claro, a vida.
Eu não me canso de imaginar. Não me canso de criar a nossa vida de “sim”. Não canso de recolher cada pedacinho dessa vida de “talvez” e aumentar, até ele caber na vida de “sim”. Pode não ser verdade, e minha cabeça sabe disso, mas faz um bem pro coração fingir que acredito nessa vida que eu deixo essa historia ir lá longe. Acho que se eu parar vai doer tão forte, que é capaz dele não agüentar. Eu sempre fui muito boa em viver assim, das minhas idéias. Acho que é porque elas são só minhas, então eu as levo pra onde eu quiser.
Eu levo as minhas idéias pra rua, pra cama, pro almoço, pro jantar, pra viajar aonde quer que eu vá e até pro bar. Eu levo a nossa vida de “sim” aonde quer que eu vá. E da forma mais bonita que existe. Daquela maneira leve, que só as pessoas que gostam de verdade entendem. Aquela maneira simples, que não me prende, não sufoca, não machuca. Aquela maneira que me faz um bem, me faz feliz, e só.
A verdade é que seriam os melhores dias dos últimos tempos.
"Em minha inocência e ignorância, eu atribuía a algumas pessoas o poder de liberar, produzir, fazer exercer-se e se comunicar o amor em mim e de mim. Esse amor pertencia, pois, exclusivamente a essas pessoas, ficando eu delas dependente para sempre. Se, por alguma razão, me deixassem ou não quisessem produzi-lo em mim, eu secava de amor e — o que é pior — ficava em seu lugar, na pessoa e no corpo, uma sangrenta ferida, como a de uma amputação, que não cicatrizaria jamais."
Roberto Freire, em Ame e dê vexame.
"Ouviu-se um grito agudo.Os pensamentos começaram a desmoronar devagar, escorregando morro abaixo.…Uma vez soltos, os sentimentos não voltam mais.Eles vão descendo bem de levinho, quase que imperceptivelmente. Começam a ganhar velocidade à medida em que o tempo vai passando. Ganham força pelo simples fato de terem sido soltos. E vão se transformando em enxurradas de sonhos, vontades e desejos.A avalanche invade tudo, toma conta de cada fresta, cada pedacinho incauto, desprotegido.Impossível conter. Impossível não sentir mais nada.Impossível voltar atrás."
Roubado do Carter.
"Nunca morri, nem tampouco me sinto fortalecida. Então vamos brincar de ser gente adulta, vamos nos reunir e beber. Falar de como somos crescidos, independentes, de como é sofrida a vida na cidade grande, e de como vencemos no auge da nossa pós adolescência tardia. Celebrar nossas pequenas misérias com champagne barato, flores de plástico e maconha seca. Vamos invadir nossas privacidades e nos amar pelo mesmo motivo que nos odiamos. Encontraremos conforto em antigas teorias que nos dizem o mundo em léxicos enfeitados. Brindaremos ao amor, ao tesão, ao dinheiro como se, de fato, os tivéssemos. Vamos rir de nós mesmos. Vamos rir do vizinho pelado e seu pau pequeno, das putas flácidas e desdentadas, do solitário e ranzina dono da banca de jornais. Vamos rir sem culpa. Dançaremos ao som de músicas que nos preenchem algum espaço vazio cuja existência desconhecemos. Nunca estivemos errados, nem tampouco certos. Então vamos."
"Quero o máximo - e o máximo deve ser atingido e dito com a matemática perfeiçãoda música ouvida e transposta para o profundo arrebatamento quesentimos. (...)."
"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."
"Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda."
Clarice.
Eu estava buscando inspiração. Achei que faria um bem dividir com quem quer que fosse.
já parou pra pensar em quanta coisa a gente faz movido por um "eu tenho que fazer"?
e quanta coisa a gente deixa de fazer simplesmente por acreditar em "eu não consigo fazer ..."?
acho que a gente repara de menos nesses pontos da vida, e vai vivendo no automático. esperando um monte de garantias que na verdade não existem tambem.
é uma forma de assumir o controle de coisas que na verdade não se controlam, mas fica a impressão que dessa forma a gente tá ali, no comando.
perder a gente perde todos os dias, o tempo todo.
aceitar isso é o difícil. aceitar que no momento em que se conquista já se pode perder é complicado, e são muitas as formas que a gente encontra pra tentar não lidar com isso.
mas ai que tá o problema, porque no controle ou não, perdas são parte da vida, e é elas que ditam o fluxo. eu tinha mania de falar que eu não consigo lidar com a dor da perda porque cada um que se vai, leva, arranca um pedacinho meu. hoje, eu percebi que a dor na verdade é por causa do que me foi acrescentado, e não retirado. eu compreendi que sofrer a perda faz parte, assim como aceitar ela tambem. negando não se chega a lugar algum.
a partir do momento que se entende isso, ai é possível viver de um jeito muito mais libertador, sem querer controlar tudo ao mesmo tempo. ou pelo menos começar a querer viver assim, porque é uma luta diária que se trava.
acho que quando você entende o que a perda significa você acaba perdendo um pouco o medo dela, e do tanto que a palavra carrega. só se perde o que já não se tinha mais, e isso é uma verdade. e fica dentro da gente a importância daquilo tudo que rolou.
To me sentindo leve hoje. Acordei pesado, embaraçada, enroscada na minha própria cabeça. E bastou uma conversa - eu, eu mesma e o Rodrigo - para eu me entender de uma forma como eu nunca tinha entendido eu acho. Como ele mesmo disse, falta muito ainda, há muito que compreender e "trabalhar". Mas acho que foi a primeira vez que eu assumi pra mim mesma um monte de coisas que andam rolando por aqui nessa cabeça, há muito tempo.
Comportamentos que eu tenho, atitudes que eu tomo, tudo em função duma mágoa, antiga, que nunca na verdade foi resolvida. E que na verdade não tem fundamentos reais, são apenas sensações e ressentimentos que eu mesma criei, e nunca assumi. Por conta disso eu acabo simplesmente exigindo muito dos outros, ao invés de jogar o problema nas minhas próprias costas.
E é bem por isso que eu to aqui, me abrindo, e falando da única coisa a qual eu nunca falei. Não funciona como um pedido de desculpas, mas é como se eu tivesse me redimindo, e finalmente assumindo todas as vezes que eu passei dos limites, exigindo demais, bronqueando demais e falando que compreendia sendo que não. É na verdade um agradecimento também, porque por mais que eu exigi, gritei, xinguei, as pessoas nunca na verdade desistiram, e muitos até ultrapassaram os próprios limites pra tentar me ajudar um peso que era só meu.
É um ciclo, que não fosse a fonte de muitas confusões, seria até engraçado. E é um ciclo que ganha ares novos, mas continua sempre da mesma forma. Eu me agarro até a última ponta dos cabelos de quem quer que seja simplesmente pelo medo de ficar só, eu comigo mesma. E o maior problema é que quando alguma coisa dentro da gente incomoda, e a gente não resolve ou pelo menos não assume, a gente coloca toda a bagagem na mão do outro. E simplesmente não ta no poder do outro, mas eu não compreendo isso, e acabo me frustrando. E afastando. E ai o ciclo recomeça por outros lados.
Me dá um puta dum medo assumir isso, porque por mais que seja uma coisa que eu possa ou não "tentar resolver", a partir de agora vai ta aqui e ali, me encarando, no canto, esperando. Mas não sei, mesmo assim eu decidi assumir, decidi que chega de pelo menos fingir que não existe. Existe sim, e eu sou assim. É simplesmente uma luta diária com a qual eu vou escolher lidar ou não. Até porque antes de gerar confusões para os próximos, vai continuar causando a mágoa em mim, e eu vou continuar a esperar demais sempre de alguém que na verdade não tem culpa de nada. Eu vou continuar sempre me prendendo ao vazio, e tentando preencher o meu vazio com alguma coisa que só vai fazer ele piorar, porque ninguém pode se doar 100% o tempo todo pra alguém, se é que isso seria suficiente.
Não sei se deveria expor tanto assim sobre tudo isso, mas de alguma forma me faz bem, e faz parecer que a jornada não é difícil quanto parece, sabe?
E quem sabe também não clareia um pouco a cabeça daqueles que eu confundi por ai, e entendam porque eu funciono do jeito como eu funciono.
Vontade de deletar tudo até agora e recomeçar, mas ai eu não teria chegado aqui aonde eu cheguei. Não por arrependimento nem mágoa, mas simplesmente pra ter uma chance maior de "consertar" esse ciclo.
Sabe o bom disso tudo? Pode até doer um pouco, lá dentro, perceber e enxergar isso, mas dá uma sensação leve, boa, aliviante. Uma sensação que há futuro, que há claridade e que no fundo eu me conheço muito mais do que eu pensava. O preço disso é impagável.
"I've got time to hold my own
what's a day when the years are on their way
I gotta say..."
Little Joy, Brand New Start.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"Sometimes, I feel the fear of uncertainty stinging clear
And I can't help but ask myself how much I let the fear take the wheel and steer
It's driven me before
And it seems to have a vague, haunting mass appeal
But lately I'm beginning to find that i should be the one behind the wheel"
Acordei de mau humor hoje. Deve ser por causa da volta à realidade aqui, mas nada que não passe até o final do dia. Acordei e fiquei rolando na cama, pensando no monte de coisa que estava na minha cabeça desde a praia e que andavam me incomodando um pouco.
Às vezes eu paro pra pensar que a vida andou mudando muito, e que no meio de tanta mudança perdeu-se o foco um pouco. Não só o foco sabe, mas o sentido também. Nessa ânsia de viver tudo o tempo todo, a gente acaba esquecendo o porquê faz certas coisas, e começa a viver no automático.
Outro dia me falaram “o jeito como você é tratada reflete o jeito como você se permitiu tratar”, e eu acho que é bem por ai mesmo. Não adianta a gente fingir que não liga, se liga. Não adianta fingir que ta tudo bem, se na verdade você ta chateada. Mesmo que a mentira seja mais pra você do que pro outro sabe. Eu sou assim, pra me preservar, eu simplesmente minto pra mim mesma, e fico tentando me convencer disso o tempo todo, mas lá no fundo, eu sei bem o que eu to sentindo, e isso que me assusta. A verdade é que ninguém é tão “de boa” quanto diz. Todo mundo tem sentimentos também, e todo mundo tem receio de assumir. E todo mundo acaba assumindo um papel as vezes que mão corresponde ao que ta sentindo. Por causa disso acaba sendo tratado de um jeito que não te faz um bem, que não enche a sua alma, que não alimenta o que você ta sentindo. Ai começo a pensar comigo mesma, valeu a pena? Mas isso a gente já sabe que não, se não nem perguntava. A verdadeira questão é que não adianta eu ir lá, disposta a dar a minha cara a bater, se não tem fluxo, não tem correspondência.
Há um tempo, eu tava “adormecida” por dentro, e lembro que falei pra alguém assim “prefiro estar sofrendo a estar sentindo nada”. Sim, verdade, mas vou falar que tem momentos que a gente fraqueja um pouquinho e pensa que pelo menos “o nada era mais fácil”. Que com o “nada” você não ficava a mercê do receio (ou não) de ninguém.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

to escrevendo da praia.
to aqui faz tres dias e já me fez um bem que é dificil de descrever.
é incrivel como eu passo o dia todo pensando e pensando e repensando tudo.
e é impressionante como as idéia vão se encaixando no lugarzinho delas. acho que em São Paulo tudo é tão corrido e tão cheio de coisas acontecendo, que a gente mal para pra refletir e ver realmente o que ta sentindo. eu to aqui há poucos dias e meu espirito já desenvolveu uma espécie de consciência estranha, percebendo meio que de repente um monte de confusões que tavam aqui dentro de mim.
acho que por hoje é só.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Até que ponto você é capaz de dar a cara a bater? De arriscar? De deixar o medo de se machucar de lado e ir em frente? De parar de amortecer a queda?
Comigo, isso não acontece. Chega um ponto que eu simplesmente não consigo mais arriscar, muito menos de parar de amortecer a queda. E é justamente por isso que a gente acaba fazendo as burradas que faz, e perdendo as coisas que perde. Não só eu, mas são muitos os que são assim tambem. E eu não culpo nem julgo nem um pouco, pelo contrário, eu entendo totalmente. Tem gente que é tão calejada por ai, que só a idéia de algo a mais acontecer, já doi. Já fica pesado.
Uma vez uma amiga me falou "poxa, eu não entendo, é só carinho". Não, não é só carinho. É muito carinho, carinho que mexe com uma porrada de outras coisas aqui dentro que talvez você não esteja disposto a lidar agora.
Mas a questão não é essa. A questão é que por causa desse medo que a gente tem, a gente acaba perdendo um monte de coisas por ai.
E aqui eu to me abrindo de um jeito que nem eu queria.
Infiei na minha cabeça sensações e sentimentos falsos, caixinhas que só servem na verdade pra amortecer a queda, mais nada. E pra que? pra fugir de um certo muito carinho por ai, por causa daquele tal de medo.
A verdade é que quando a gente ta machucado, a gente faz e não pensa. Não que eu não pense que "viver ultrapassa todo entedimento", mas a questão é que as vezes eu não consigo lidar com o viver "demais".
O que eu queria é estar entre aqueles 3% de pessoas no mundo que não tem medo, e estão dispostas a se jogar, a voar, a arriscar. Eu queria estar entre aquelas pessoas que mesmo depois de ouvir um puta "não" pensariam "pelo menos eu tentei", ao invez de sentir que a vida "pesou demais".
Não sei... hoje eu to com vontade de me enfiar em um cantinho e por lá ficar.
Até eu resolver o que fazer com todo esse peso. E com todo esse medo.
Sei lá.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Hoje é finalmente sábado. E só eu sei a quanto tempo eu ando agoniada com esse sábado. Quanto tempo eu esperei querendo que ele não chegasse nunca. Mas ele chegou e de repente eu perdi um pouco o medo que eu tinha dele. Hoje eu vi que sofrimento respinga em todo mundo, e até aqueles que parecem extremamente bem e felizes estão com medo de escorregar tambem. Eu vi que não importa tentar controlar o inevitável porque no fim o que tiver que acontecer vai acontecer. E vai acontecer da forma como for acontecer, de nada adianta ficar planejando ou tentando amenizar. E de nada adianta tambem ficar sofrendo por antecedencia. Eu sei que as vezes é pedir muito não fazer isso, mas se vai doer durante e depois, pra que piorar tudo sofrendo antes tambem?
Não sei, acho que na verdade um lado meu se preparou pra deixar de lado um pouco, enquanto o outro lado vai continuar guardando a esperança do mundo dar tantas voltas um dia que vai retornar pro eixo do qual nunca deveria ter saido. É como se um lado equilibrasse o outro, e talvez por isso o meu medo não ta gritando, ele ta só assobiando aqui dentro. Só uma apertadinha vez ou outra mais forte, uma batida vez ou outra mais fraca, mas nada que me faça querer sair gritando no meio da chuva.
O depois? sinceramente agora tô tentando não pensar muito. O que me importa é o durante, pelo menos por agora.
Acho que mais uma vez eu to aqui, com as minhas previsões, tentando amortecer a queda. E é como eu falei, se eu já souber o que vem pela frente, ai fica tudo mais fácil. A parte da "surpresa" só piora as coisas, a não ser que seja uma surpresa boa - o que eu sei que não vai ser.
Mas eu não quero terminar assim, parecendo triste. Pra mim hoje foi como um ponto positivo, só pelo fato de o mundo não ter caido como eu achei que ia cair. Eu vou me segurar, e fechar o dia com chave de ouro, cabeça erguida. Vou fechar o dia celebrando e não amargurando. Celebrando a idéia de que "talvez um dia" ao contrario de pensar "nunca mais".

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

'Hey, come on try a little
Nothing is forever
There's got to be something better than in the middle'
"Easy like sunday morning"
é como eu acordei hoje.
e acordei pensando muitas coisas. uma delas é que acho que meu desabafo com a vida funcionou. incrível. acho que "ela" me escutou reclamando aquele dia e decidiu finalmente dar uma chance.
todos os dias eu acordo do mesmo jeito. eu acordo de um sonho otimo, sorrindo. ai eu abro os olhos, reconheço aonde eu to e fico mais de meia hora pensando se foi sonho ou se aconteceu mesmo. e quase todos os dias, depois dessa meia hora, eu volto a ficar mal humorada de novo, porque percebo que nada aquilo aconteceu e minha cabeça continua desparafusada. hoje, pela primeira vez em um certo tempo, eu acordei, passei aquela meia hora pensando e descobri que tudo daquilo aconteceu. foi tão engraçado que eu demorei mais tempo dessa vez pra me perceber acordada.
e o dia foi só melhorando. cada segundo que passou até agora só coisas boas aconteceram. e não só comigo. acho que o mundo hoje resolveu permanecer nessa sintonia.
e é tão boa essa sensação. tão boa que eu fico até com medo, pra variar.
mas não, não vou me preocupar com isso. vou me preocupar com todas as historias boas que eu ouvi hoje, e vou aproveitar cada segundo disso que tá acontecendo.
se a gente não sabe o que vai acontecer depois, então o que tem se que fazer é curtir enquanto está tudo bem, o máximo possível.
é engraçado. sempre que eu vou na terapia e falo pro Rodrigo que as coisas estão boas, logo em seguida, meio que pra me prevenir, eu falo "mas uma hora vai dar merda". ai ele morre de rir. ele me diz que eu vivo tanto com culpa e medo que até quando eu to feliz eu tenho que fazer uma ressalva, como se a vida fosse ficar chateada comigo por isso.
na última vez que eu conversei com ele, ele me disse pra tentar pensar "estou feliz" sem nenhuma ressalva a frente. e eu vou falar que é uma das coisas mais difíceis que ele já me pediu pra fazer.
mas hoje eu vou dar uma chance, e deixar minha cabeça ficar sossegada em paz.
"Man, I ain't changed, but I know I ain't the same".
Wallflowers sempre cai bem.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A vida é realmente muito engraçada. E muito boa também. Mas acho que hoje vou ficar com a parte engraçada dela. A parte aonde ela dá tantas voltas que chega a alguns caminhos que a gente nunca pensou que ia ver.
O pior é que eu não sei como me sinto diante disso tudo direito. Um lado meu ta aliviado. Um outro, e não vou negar, ta um pouquinho amuado. Mas todos estão confusos ao mesmo tempo. Todos estão passando por um período na minha vida que não sabem muito bem o que pensar, o que fazer e nem pra onde ir. Acho que é por isso que eu ando meio bipolar o tempo todo. Quem lê o que eu escrevo provavelmente deve achar que eu to virando uma pessoa triste, mas não é verdade. Eu tenho momentos muito bons. Momentos que valem a pena pra cacete. A verdade é que ontem eu me dei conta que a palavra que define as coisas pra mim nesse momento – e lógico que eu descobri isso com o Rodrigo – é confusão. E o engraçado disso tudo é que eu to gostando da confusão. To aprendendo a conviver com ela de um jeito que ela me permite viver tudo que há muito tempo eu tava querendo e precisando viver, de um jeito no mínimo engraçado. Acho que é outra coisa que dá pra perceber pelos meus textos, a querida confusão.
Acho que pela primeira vez em muito tempo sou só eu cuidando da minha vida e ponto final. Só interessa o que eu quero e o que eu penso. E ainda é estranho pra mim tudo isso, mas não ta mais me dando o medo todo que me dava. Existem momentos em que eu penso que isso é insuportável e como eu queria que fosse diferente, lógico, até porque eu sou eu e tem coisas que a gente nunca muda totalmente. Mas acho que eu to aprendendo a ser uma Priscilla que controla o insuportável. Uma Priscilla que de alguma forma aprendeu – ou ta aprendendo – a controlar o desespero em certos momentos e saber que vai ficar tudo bem depois que ele passar. Eu ainda esqueço de respirar as vezes, dou meus chiliques, choro, esperneio. Mas há tempos atrás eles aconteceriam com muito mais freqüência e de uma forma muito mais intensa. Eu sinto um fluxo novo aqui dentro, uma vontade de cada vez mais me tornar a pessoa que eu estou me tornando e continuar vivendo esse monte de confusão nova que eu to vivendo.
Tem muita coisa aqui que ainda tem que mudar, crescer, aflorar. Mas eu acho que eu to finalmente pronta pra pular fora desse degrau, sabe? Esse degrau que foi muito, muito, muito bom pra mim, mas que já tinha passado da hora de deixar pra trás. Não sei se é aquela sensação idiota de “ano que está começando”, mas to com uma sensação de que o novo patamar da escada também vai ter muita coisa boa pra oferecer. Quem sabe subindo nele eu não ganho, finalmente, um pouco do movimento que eu tanto falo?
“A lagarta quando vira casulo sabe que está se preparando para virar borboleta?
E a borboleta se lembra quando foi lagarta?”
Eu me fiz essas duas perguntas aqui, um tempo atrás. E agora eu posso responder.
Não, a lagarta não sabe, e acho que ai que mora a confusão da questão. Mas eu posso garantir que a borboleta se lembra. Se não lembrasse não seria tão difícil.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

acho que eu finalmente entendi o porque a gente guarda caixinhas com a gente. é pra ter com o que contar em momentos vazios como alguns por ai. é pra mesmo depois de qualquer cagada que você possa ter feito, pensar com carinho naquela caixinha e no quanto ela iria te acolher nessas horas. é pra quando você duvidar de você mesmo, lembrar que mesmo por um minutinho aquela caixinha já te achou a melhor coisa desse mundo e já foi sua.
mesmo que a maior parte do tempo seja difícil conviver com essa historia de "só na caixinha", eu acho que ela faz mais bem do que mal. não sei o que faria num dia como esse sem essa "proteçãozinha" que eu sinto mesmo de longe. é uma sensação unica sabe, como se fosse um dia bem frio com sol batendo em você.
eu acho tambem que ela serve pra te proteger de arranjar mais problemas por ai. quem não tem caixinha, se entrega sempre por inteiro e se machuca sempre tambem depois. quem tem uma caixinha, já sabe que precisa se proteger, já sabe que as vezes o que a gente quer é o errado. porque quem já passou pelo processo de ter que criar uma caixinha, sabe que não quer passar por isso nunca mais de novo.
ontem eu fiquei falando da minha previsão, e no final das contas dessa vez eu errei. a vida acho que resolveu dar essa chance pra mim, mas as vezes eu me pergunto se não seria melhor que ela tivesse sido ingrata de novo. eu sofreria agora, mas pelo menos já ia tá preparada sabe. eu sempre tive esse medo, e sempre me fiz essa pergunta. o que vem depois da felicidade? sério, sem ironias. estou feliz agora. e depois? a casa sempre cai alguma hora.
talvez eu tenha me tornado cínica, vai saber. mas a questão é eu tenho medo do depois. eu tenho medo dos momentos bons. e não queria nem um pouco ser assim. mas não adianta, a minha cabeça não consegue liberar a idéia de que depois de todo momento lindo vem a queda.
talvez eu seja apenas mais uma idiota que reclama tanto que até nos momentos felizes consegue se sabotar. mas eu acho que só colocando pra fora é que se pode talvez pensar em resolver um medo desses sabe. e não se escondendo atras de caixinhas por ai.
me falaram hoje que essa historia já deu. que essa caixinha é o que me impede de viver bem, livre, mais feliz. mas se eu aceitar que chega de caixinha, quem garante que eu não vou encontrar alguma coisa muito mais confusa e dolorida por ai? acho que não tem muito jeito. pelo menos não agora. quem sabe um dia eu não me canso de caixinhas e saio a procura de alguma coisa real, que valha tanto a pena que eu não vou nem lembrar da minha caixinha.
mas pelo menos agora tá tudo bem assim.
enfim, o dia foi bom hoje.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Será que é verdade que dizem que felicidade tira a inspiração?
acho que vou me arriscar assim mesmo.
a verdade é que essa semana tanta coisa aconteceu que minha cabeça tá voando ainda. mas é um voando gostoso, que me faz um bem indescrítivel. não foram só dias maravilhosos tambem, mas isso na verdade não importa. o que importa é essa sensação de movimento, de fluxo, de "algo a mais me acrescentando" que eu to sentindo e que há muito não sentia. sabe, uma sensação de não importa muito se é bom, ruim, maravilhoso, estranho, confuso ou dolorido, mas é sentimento e sentimento de estar vivendo. sentimentos, sensações, pensamentos, vida. do jeito mais gostoso que se pode definir "vida". do jeito mais estimulante. do jeito que dá mais medo, aquele frio na barriga que eu achei que era uma coisa inventada por ai e acabei descobrindo que existe sim.
e descobri tambem que é justamente quando dá medo, que vale a pena.
e que as vezes a surpresa é tudo o que você precisava.
"You can't always get what you want
But if you try sometimes you might find
You get what you need"
E muitas vezes, isso é melhor ainda.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

passei o dia todo querendo escrever, colocar alguma coisa pra fora, mas sem saber como escrever o que eu estava sentindo aqui dentro. e assim o dia passou, e eu fiquei aqui a mêrce de caixinhas. caixinhas escondidinhas aqui dentro de mim, recheadas com um monte de sentimentos e sensações que eu deveria ter esquecido mas não consegui.
eu fiquei pensando nas caixinhas, e no quanto é gostoso só o fato de poder sentir ela, não importando se ela existe ou se é ilusão da minha cabeça. mesmo que eu nunca possa abrir de novo, só a idéia de ter a caixinha aqui comigo na hora de dormir, tá mais do que bom.
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até aqui, eu tinha escrito até algumas horas atras. eu já tava digitando aqui quando eu percebi o quanto eu tava sendo hipocrita em relação a tudo isso. e o quanto eu tava mergulhando numa ilusão romântica que só existe na nossa cabeça.
lógico que caixinhas são reais. mas lógico tambem que não basta apenas ter aquela caixinha ali, pra sempre e pronto. pra mim, é mais ou menos assim, e tô sendo muito honesta dessa vez. você pode ter caixinhas, e guardá-las o tempo que quiser, sem nenhum motivo ou razão. e nesse tempo todo, elas podem de fato te fazer um bem, te alimentarem, te cuidarem, te fortalecessem em qualquer momento que você precise. em épocas da vida, elas podem de fato estarem ali só por estar, e isso basta. mas elas não estariam ali, tanto tempo assim, se dentro de cada gavetinha, mão houvessem uma pontinha de esperança acompanhada. uma pontinha que te diria que um dia, quem sabe, bem talvez mesmo, você vai resgatar a chave e abrir a sua caixinha. sabe a pontinha do "felizes finalmente?", essa mesma. não há pessoa no mundo que não pense assim, por mais que negue ou se mostre cínica a tudo isso.
e eu finalmente entendi que o dia que a esperança acaba, ai a caixinha tem que desaparecer por completo, se não o que fica no lugar dela é dor e mais dor e mais saudade.
quando o contéudo da caixinha resolve se mudar para dentro de outra caixinha, mesmo que por curto tempo, a sua caixinha fica tão vazia que ela até chora.
e quem sabe, é o mundo tentando te dizer que tá na hora de abrir a gavetinha e deixar voar...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sempre disse e sempre vou dizer... Viajar é a melhor coisa do mundo. Não tem como explicar em palavras o que eu to sentindo depois desse ano novo. Viajar é mágico. E viajar com amigos como os que eu viajei, a melhor coisa do mundo e ponto final.
E o mais engraçado é que pela primeira vez em MUITO tempo eu senti que eu tava no lugar certo, na hora certa. Eu entendi que essa coisa de destino pode até não existir - como eu acho - mas tem coisas que estão no caminho porque elas deviam mesmo estar.
Me curei de certos acontecimentos, mas mais do que isso eu enxerguei um monte de coisa que fazia tempo que eu tava precisando enxergar. Coisa minha mesmo, sem a ver com nada nem ninguem específico, coisas que eu percebi que estavam fora do lugar e que tavam me fazendo perder um pouco a perspectiva. E aconteceu de um jeito diferente. Não foi dramático, não doeu horrores e não foi culposo. Como o Rodrigo sempre me fala, eu tenho mania de viver com culpa. Tudo que eu faço, pelo menos nos últimos tempos, eu nunca aproveito totalmente por causa dessa tal de culpa que fica pegando no meu pé. Toda reflexão que eu tenho, a culpa sempre tá lá do lado. E o engraçado é que dessa vez, tudo isso que eu entendi, eu entendi sem influência da culpa, eu entendi e deixei aquilo ficar na minha cabeça livremente. Acho que é por isso que eu to com essa sensação gostosa dentro de mim.
Acho que é por isso que eu to sentindo a tal da felicidade.
Lógico que tem outros fatores nessa caixinha, como a viagem mais engraçada do universo, as pessoas mais gostosas de abraçar que eu já conheci, um cd de mp3 só com músicas do André e o Black Label.
Mas qualquer que seja o real motivo, to sentindo a felicidade aqui dentro. To me sentindo até quentinha por dentro. cuidada. curada.
Não sei por quanto tempo essa sensação vai permanecer aqui dentro, mas só sei que um minuto me sentindo desse jeito, já vale a pena.
Já valeu a pena.