terça-feira, 31 de março de 2009


Would you?
Pra fazer bem.
*
Clair de la Lune
Será que um dia vamos perder isso que só a gente tem? Será que vai chegar o dia o qual a gente vai se encontrar na rua, dizer um oi reprimido, dar uma desculpa esfarrapada e fugir um do outro? Vai chegar o dia em eu não vou saber mais qual música você gosta de escutar e qual livro você está lendo?
Eu queria poder te pedir essa resposta, mas a verdade é que nem eu nem você podemos saber como é que vai ser. Já jurei pra dois ou três pedaços de mim que nunca os esqueceria, e bom, a vida se encarregou de nos transformar em completos estranhos. Já conheci muita gente que me conhecia tão bem que era capaz de adivinhar qual palavra eu teria escolhido numa caixa com 500 delas, e mesmo não tendo esquecido a historia ou o carinho que eu sentia por ele, nossa historia ficou pra trás, assim como muitas outras.
É engraçado como eu sempre me prendo nessa questão. E como eu sei que só me desprendendo dela, é que as historias se tornam pra sempre. Quando a gente perde o medo do que vai vim no futuro, o presente fica tão gostoso que ele dura sim pra sempre.
Mas hoje eu to só curiosa, não é o medo falando na verdade. E esse é o seu poder em mim. Você me faz querer largar o medo, avançar, testar o novo sem medo do resultado. Com você, eu acho que podia até sair voando se eu quisesse. Você me instiga a ter esperança sempre, a pensar no que há de bom, a dar cara à tapa se for necessário. E o mais irônico é que você nem imagina nada disso, se eu contasse você não ia acreditar.
Talvez “ficar pra sempre” seja exatamente isso... Um presente tão completo, tão bonito, tão inspirador que toda vez que eu me sentir assim, vou carregar um pouquinho de você aqui dentro. Ai quando eu te encontrar, posso até não saber com quem você anda agora ou qual livro você andou lendo, mas vou saber exatamente como é o seu sorriso quando eu digo pra você que sinto sua falta na semana, ou o tamanho da sua vergonha quando alguém diz o quanto gosta desse mesmo sorriso.

segunda-feira, 30 de março de 2009

"Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. (...) Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..E lembra-te:Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"
Fernando Pessoa
Eu sinto como se estivesse lutando com o mundo sozinha, na maior parte do meu tempo. Como se eu fosse pequenininha e o mundo estivesse tentando me engolir, vez ou outra. Mas tenho que confessar que a luta fica muito mais leve quando se conquista certas armas. Tenho que confessar que não há companheiros de guerra melhores do que a música e as palavras.
"Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer"
Chico Buarque. Valsa Brasileira
*
Se eu pudesse, cantava essa pra você...
"Me dê notícia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda cantiga do vento
Já passouAgente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê notícia de você
Me deu vontade de voltar"
Chico Buarque e João Donato
"Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite sonhasse comigo
Talvez
Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão pararEntre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais"
A moça do sonho. Chico Buarque

sexta-feira, 27 de março de 2009













saudade que nunca vai passar.


Acho que eu tenho que assumir que o meu tiro saiu pela culatra, e dessa vez foi das grandes. Eu e a minha mania de profecias auto-realizadoras acabamos sabotando a minha própria felicidade. Não só a minha, mas também de mais uns três ou quatro por ai – os três ou quatro mais importantes além do mais.
É por isso que brincar com os sentimentos alheios devia ser proibido, mesmo que sem querer, e a nossa mão devia pegar fogo cada vez que a gente decide fazer justiça por elas próprias. Cada vez que a gente decide presumir que sabe de alguma coisa que na verdade não sabe, e tomar uma atitude a respeito disso. Cada vez que a gente age no impulso, sem pensar muito em nada.
Acho que eu posso definir como a pior sensação do mundo, sem exagerar nesse caso. Você não poder culpar ninguém, só você mesmo, da dor que você ta sentindo, e que você vai fazer os outros sentirem assim que a casa cair. O mais engraçado é que eu fiz a casa cair há pouco mais de seis meses. Fiz a casa cair feio, humilhantemente. E não doeu como dói agora, a aflição de imaginar ela cair de novo. Tenho certeza que é porque agora as coisas importam de uma forma como há muito tempo não importavam.
Talvez eu tenha sorte, e as coisas não se auto-realizem dessa vez também – o que eu acho bem difícil. Ou talvez eu tenha sorte e as coisas se resolvam pra melhor. Mas o mais importante é que uma vez que o cuspe cai na própria testa, será que a gente aprende que o teto é, realmente, de vidro? Eu espero que sim. Não quero passar a vida reconstruindo casas.

domingo, 22 de março de 2009

Às vezes, mesmo querendo ser bom, a gente acaba sendo ruim. Às vezes mesmo querendo a felicidade do outro com uma força incrível, a gente acaba sendo a fonte da infelicidade. Mesmo querendo fazer o certo a gente acaba fudendo tudo mais ainda.
Eu queria que as coisas não fossem como são. Queria que a gente tivesse escolha nos assuntos do coração, e que essa escolha não implicasse na tristeza de ninguém. Mas isso é querer viver num conto de fadas de exageradas proporções. A verdade é que não tem muito jeito mesmo, alguns se machucam e outros se confundem vez ou outra.
A saída ta na maneira como as coisas são feitas, as relações tratadas e as palavras ditas. Já que mesmo sem querer a gente acaba machucando quem ama, então tem se que evitar ao máximo o “por querer”. Percepção, consideração e carinho. E é claro a verdade sempre dita, por mais que ela machuque.
Eu realmente queria que as coisas fossem diferentes.
Não queria machucar quem eu amo tanto.

sexta-feira, 20 de março de 2009

“A sensação era de eu ia sair do corpo, de tanto desespero, e nunca mais conseguir voltar. Ia desfalecer ali mesmo, perder a garganta de tanto gritar. E não havia ninguém ali que entendesse, ou que pudesse colocar um fim naquilo. O que para mim era o meu pior pesadelo, para os outros não passava duma brincadeira. Eu corria, pra lugar nenhum, mas nada adiantava. Aquilo continuava a me perseguir, a se mexer constantemente atrás de mim.”
Pra quem não sabe eu tenho pânico, fobia de bichinhos de pelúcia. E esse ai foi o meu sonho de hoje de manhã. Eu acordei gritando e chorando de tal forma que as pessoas da casa se assustaram por aqui. Pensaram que eu tivesse morrendo ou algo do tipo. Quando me acordaram e eu contei o que tinha acontecido, só não deram risada porque viram o meu estado de verdade.
A fobia é uma das coisas que mais me impressiona nessa vida. O jeito como ela se infiltra nas mais diversas áreas das nossas vidas, e como ela tem o poder de controlar muita coisa por ai. O meu pânico, eu tenho desde criancinha. E desde criancinha os bichinhos de pelúcia me assustam de tal maneira que eu perco o controle do meu corpo na frente de um. Já desmaiei, já tive convulsões, e as pessoas nunca entenderam. Tem sempre um espertinho achando que é charme, e que decide me testar.
Nesse sonho que eu tive hoje tudo foi bem parecido com a realidade. Quando eu era pequena, meu pai e meus primos costumavam me perseguir pelo quintal da minha avó, com uma imitação de pelúcia do pica pau, achando que se eu realmente chegasse perto, eu ia ver que não tinha medo nenhum. E na verdade tudo acontecia exatamente como a descrição do sonho que eu escrevi aqui.
O mais estranho do medo é que por ele não ser racional, depois de uma experiência assim, você fica horas e horas ainda tentando se convencer de que finalmente está tudo bem. O seu coração continua acelerado, e até a sua visão fica prejudicada. São dez da manha, e eu to aqui há pelo menos meia hora tentando me convencer que era só um sonho.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Às vezes eu canso um pouco. Eu canso e desisto um pouco, até que a vontade volte. Essa semana foi um pouco assim. Parecia – e parece ainda – que a vontade de viver e fazer qualquer coisa a respeito disso tinha desaparecido. Não falo daquela vontade de viver do tipo “caso eu não tenha, vou me matar”. Não, bem longe disso. Mas foi uma semana de deixar tudo largado por ai, confuso, aberto, entrecortado. Uma semana que até meu físico tava de saco cheio, acompanhando o psicológico.
A sensação era de que alguma coisa tava me faltando, e que isso estava deixando um buraco no lugar de todas as minhas idéias recentes sobre a minha nova vida. Não adianta a gente se enganar, sabe, dizer pra si mesmo que está completa e cheia de planos. Tem certas coisas que simplesmente são intrínsecas a nós mesmos, e que uma hora ou outra batem forte no peito, reclamando o seu lugar dentro da gente. Eu sei muito bem o que é esse tal de “faltando”, mas até ai saber não ajuda muito na hora de lidar com a falta que faz. Pelo contrario, acho que quanto mais a gente sabe mais a gente precisa daquilo. Ou quer aquilo.
Eu sei que semana que vem esse buraco vai ter sumido, e vai demorar um bom tempo ate que apareça de novo, então eu fico tranqüila, esperando mesmo o tempo que ele quiser pra sumir. Acho que o principal problema são noites como essa, regadas de insônia, um bilhão de pensamentos, e a “falta” tomando conta. Não fico triste, não. Mas também não vou dizer aqui que simplesmente encosto a cabeça no travesseiro e sonho com cavalinhos brancos saltitantes. A palavra não é tristeza. Acho que cabe melhor a desesperança, nessas horas. A sensação de vazio, que acaba por provocar essa solidão dentro da gente. Sim, porque nessas horas, não só parece que estamos sozinhos aqui no mundo, mas que ninguém entende o que se passa dentro de você.
Uma grande besteira tudo isso, que provavelmente vai me fazer rir amanha de manha. Mas a idéia de dividir isso parece menos assustadora do que simplesmente voltar pra minha cama e tentar dormir pela quinta vez. Acho que a sensação que mesmo na solidão, as pessoas se acompanham de certa forma.
A TPM é uma coisa complicada, definitivamente. Ainda bem que passa.
Ainda bem que a noite acaba. Amanha é outro dia.
Eu to puta da minha cara. mais do que isso, to chateada hoje.
As vezes você confia em pessoas e relações que você acha que são, pra dizer o mínimo, sinceras. e do nada você descobre numa certa noite que além de não sinceras, elas são ridículas.
Eu sempre disse que eu odeio joguinho, e que eu detesto ser enganada. Já falei aqui de facadas, de mentirinhas, e de muitas dessas coisas que me tiram do sério.
A gente fica tentando dar desculpas, mas a verdade é que tem gente que simplesmente não sabe o que quer, e não sabe mexer com sentimentos alheios. Tem gente cheia de falsa moral, pronta pra te julgar a todo momento. Gente que te diz que talvez seja bom mudar, ser sincera. Gente que te diz pra parar de brincar com o sentimento dos outros.
O que essas pessoas não percebem é que elas mesmas são cheias de falhas, e que elas magoam os outros tanto quanto aqueles que elas julgam.
Eu há muito tempo venho me enganando com muita coisa que o ser humano faz por ai. Mas prefiro ser essa coisa boba que é alguem enganado do que alguem que aponta o dedo na cara dos outros, depois vai lá e faz pior.
Isso sim é magoar.

domingo, 8 de março de 2009

E ouvindo aquela música, lembrei de você. Não imagino porque, você nem gostaria. Mas lembrei. Lembrei da nossa ultima vez juntos, do seu cheiro, do seu sorriso, da sua risada rindo da nossa loucura. Lembrei do seu bom humor, e do quanto nos divertimos juntos. Lembrei do seu olho encarando o meu naquela volta para casa, e lembrei os nossos momentos de “sim”.
Engraçado como o vento tava batendo no meu rosto, e cada segundo mais me lembrando de você. Lembrei de tudo aquilo que a gente viveu, e de tudo aquilo que a gente ainda vai viver. Me senti como há muito tempo não sentia.
"as vezes, a sorte lhe sorri" - Lua Nova.

sexta-feira, 6 de março de 2009

“Is three years long enough to forget someone?”
Pra quem assiste Lost a frase tem total sentido. Ela comove, alegra, machuca e desperta uma sensação de inquietação. Pra quem não assiste, bom, está perdendo.
Brincadeiras a parte, eu quis compartilhar ela porque desde que assisti hoje à tarde o episódio oito, não consegui parar de pensar nela, e ficar comovida. Mesmo pra quem não assiste, acho que ela por si só diz muita coisa. No episódio, a resposta de quem se questiona sobre ela, é sim, três anos é mais do que suficiente. Mas no final do capitulo a gente percebe que talvez três anos não sejam o bastante.
Na verdade eu fiquei me questionando. Será que uma vida é suficiente pra esquecer alguém que foi importante pra você? Será que chega o dia em que você nem pensa mais sobre tudo o que aconteceu? Será que vai chegar aquela manhã que você vai acordar e perceber que enterrou todo o passado?
Bom, no meu caso, não preciso nem responder, acho que todo mundo sabe qual vai ser a resposta. Mas a verdadeira questão que me veio não foi essa. No episódio, o que se quer mostrar é que por mais que o passado esteja ali, na sua cabeça durante todos os anos, não impede que o futuro chegue, e o presente seja tão bom quanto o que já passou. Acho que eu fiquei tão comovida porque parece que o diretor entrou na minha cabeça nos últimos tempos e traduziu.
A verdade é que a gente pode passar uma vida inteira amando alguém, ou o que você tinha com esse alguém, mas amando ao mesmo tempo um presente com outra pessoa. Não se trata de amar duas ou mais pessoas ao mesmo tempo de formas iguais, não. São formas diferentes, carinhos diferentes, lembranças e momentos presentes diferentes. Sem os quais, talvez você não estivesse onde está, e não fosse quem você é.
Não sei, talvez tudo isso não faça sentido pra ninguém, mas na minha cabeça – e no meu coração – faz total. O que o episódio me mostrou, e talvez por isso me emocionou, é que as vezes a nossa felicidade ta naquela pessoa ali do lado, que você nem havia reparado, enquanto perdia tempo pensando que precisava sair do passado pra viver o presente. O passado é aqui, agora, em qualquer canto guardadinho no seu coração. O presente é, como a própria palavra já diz, um “presente” que chega com uma força capaz de conquistar o seu próprio espaço dentro desse coração também. E os dois podem sim conviver juntos. Amores diferentes. Carinhos diferentes.
A verdade é que nem uma vida é suficiente para se esquecer certas coisas. E nem deveria ser.
Pra quem quiser assistir, tá aqui.

terça-feira, 3 de março de 2009

Eu começo a me perguntar quando foi que eu parei de desejar de mais. Qual o momento em que eu coloquei nessa minha cabeça que exigir, querer e desejar de mais era errado, e que eu devia me contentar com aquilo que a vida me apresentasse. Começo a pensar quando foi que eu comecei a desistir de tentar o sonho, e me conformar apenas com a realidade não tão real dos fatos.
Acho que certos baldes de agua fria na cabeça chegam no momento certo. É quando você começa a se questionar, e perceber que talvez tá hora de não só começar a exigir mais de você, mas de voltar a acreditar. Voltar a acreditar nas pessoas, nos sentimentos e que uma hora ou outra a vida volta a sorrir pra você. Se você acreditar.
Não é uma tristeza nem algo do tipo, é mais uma sensação que com o passar dos anos você foi deixando de querer tudo aquilo que sempre quis, e foi levando a vida fingindo sentir coisas que não sente - ou melhor dizendo fingindo não sentir coisas que sim, você sente. Você simplesmente se calejou e resolveu que era melhor assim, aprender o jogo.
Mas a questão é que tudo é maior que isso. Qualquer "calejamento" não vale a pena dessa maneira. Na verdade além de se machucar na mesma intensidade, você corre o risco de acabar vivendo uma vida como não queria, incerta ou até mesmo vazia.
A questão é que só basta coragem, pra se arriscar e assumir que você gostaria que a sua vida fosse sim aquilo que você esperava anos atras. E ter em mente que por mais que as coisas não saiam como você imaginou, pelo menos você tentou. Você desejou. Você voltou a querer tudo aquilo que sonhou.

segunda-feira, 2 de março de 2009


Eu vivo de lembranças. Vivo das minhas memórias guardadas aqui dentro de mim. Eu vivo dos meus recortes, das frases bonitas que um dia me falaram e que eu fiz questão de guardar. Vivo do carinho que ele me fez ontem, do olhar que ele me deu, da risada que eu ouvi.
Há quem diga que viver assim não está certo. Que o presente importa mais do que tudo, e que viver no que já passou não é saudável. Machuca, destrói e impede as pessoas de seguir em frente. Não sei quem está certo ou errado, eu ou eles.
O que eu sei é que eu sou assim, e não há muita escolha. Viver das minhas lembranças pode de fato me deixar presa a velhas idéias sim. Mas quem disser que me faz mal, está muito enganado.
As minhas memórias são o que me faz acordar todos os dias. São o que me faz acordar, ouvir minhas músicas e ficar aqui, escrevendo e sonhando acordada. Sem as minhas memórias a vida seria tão, tão chata.
Vivo assim e gosto assim. E nem por isso deixo de viver o meu presente ou planejar o meu futuro. Pelo contrario, quando me lembro da risada que ouvi ontem ou do sorriso que recebi na semana que passou, me sinto ainda mais desejando o que ainda está por vir.
Acho que a questão está na medida com que o passado entra na sua vida. E quais partes desse passado você permite que entre na sua cabeça e coração. Quando eu digo que vivo de lembranças, estou falando das lembranças gostosas, suaves – o que deixa meu coração pesado fica do lado de fora certamente.
Sim, eu vivo das minhas lembranças. Vivo e me alimento todos os dias da nossa conversa de ontem, da foto daquele dia perfeito, da música que eu ouvi você cantar com tanto gosto. Vivo daquela sensação tão bonita que eu tive ontem. Eu vivo com meu passado sempre presente.

domingo, 1 de março de 2009

"Hoje eu acordei com uma vontade imensa de ouvir a nossa música.Acordei com ela na cabeça, não sei de onde veio isso.Eu gosto muito dela, sabe?Foi oficialmente a primeira música que eu tive com alguém.Eu nunca vou esquecer daquele dia. Faz tanto, mas tanto tempo, que a cena acaba ficando um pouco embaçada na minha cabeça.Pode ser culpa do licor de amarula com gelo também. Ou das doses de tequila que a gente virava como se fossem água. Sal, tequila, limão.E muitas gargalhadas.Até que todo mundo saiu e deixou a gente lá. Sozinhos naquele apartamento enorme.Você sentou do meu lado no sofá, abriu um sorriso, mexeu no meu cabelo.Eu não me esqueço do seu sorriso. Como era lindo seu sorriso. Você era - e ainda é - todo lindo.Você me deu um beijo daqueles que dão choquinho. Adoro esses beijos. São os melhores.Queria que todos os beijos fossem assim. Ou não também.Aí você se levantou do sofá e foi até o som.Colocou um CD pra tocar e me perguntou se eu conhecia aquela música.A banda era famosa, eu até gostava dela, mas por incrível que pareça eu ainda não conhecia aquela música.E a música era linda.E você veio, me puxou do sofá e começou a dançar comigo.Dançamos abraçadinhos, como se estivéssemos em um bailinho da quinta série.Você ia fazendo carinho em mim, passando a mão nas minhas costas. O que depois você veio a descobrir que era o meu carinho favorito. E passou anos e anos fazendo isso incansavelmente.Então você segurou meu rosto e me beijou de novo.Dessa vez foi um beijo diferente.Com gosto de “quer ser minha namorada?”.Claro que eu queria ser sua namorada. Depois daquilo eu não queria era te largar mais.O resto eu não lembro direito, acho que todo mundo voltou, ou eu fui embora.Quantas músicas a gente já teve depois disso? Muitas. Várias.Pra cada fase, aniversário de mês, feriado ou briga aparecia uma música diferente.Eu tenho que confessar que já repeti algumas delas com outras pessoas que vieram depois de você.Mas essa? Essa foi a única que eu não emprestei pra ninguém até hoje.Ela é nossa. Não é só minha. Nem só sua.Talvez é porque tenha sido a primeira música que eu tive com alguém?Não sei, acho que já falei isso antes."
lindo.