Uma coisa que eu conheço bem é esse aperto no meu peito que eu to sentindo agora.
E é tão engraçado, voltar a sentir tudo isso tanto tempo depois. Eu já tinha desaprendido.
E demorei pra perceber que era isso de novo que eu andava sentindo.
A primeira suspeita bateu quando eu me percebi me escondendo atras do que sentia por ele. O sentimento era verdadeiro, ainda é. Mas a dor, o sofrimento platônico, eu estava prolongando demais.
A segunda suspeita bateu quando o drama de ver ele rolou só no final da noite. Tinha passado invisível o tempo todo, e de repente lá estava eu chorando por causa daquilo de novo.
A terceira suspeita veio hoje. Eu estava secando meu cabelo, assistindo "Jane Austen's Book Club" e percebi, como uma pancada na cabeça. Foi como estar assistindo Lisbela e o Prisioneiro, e de repente se dar conta que eu estava conformada em ser a amante do prisioneiro, e não a Lisbela em si. E ai me dei conta que eu estava repetindo aquilo que eu sempre faço quando tenho medo da decisão que tenho que tomar. Eu estou me escondendo do meu medo.
Certo. Medo do quê? Agora vem a parte dificil de assumir.
Facil seria dizer "medo de ficar sozinha", mas pior que não é. Medo das decisões que alguem sozinha tem que tomar todos os dias, em todas as suas relações. Medo de escolher errado. Medo de dizer não. Medo de dizer que é casual e ponto. Medo de se deixar levar de novo e acabar se apaixonando mais uma vez. Medo de escolher certo. Todos esses medos ai.
Eu não sou o tipo de pessoa que se contenta em ser a amante do prisioneiro. Eu sou o tipo de pessoa que muda o caminho e vai ser a Lisbela de outro então. Mas eu sou o tipo de pessoa que se esconde e tenta se contentar sendo apenas a amante por sentir medo.
Mas talvez dessa vez eu tente inventar moda. Nem Lisbela nem amante.
Nem medo de errar nem medo de acertar.
Só errando ou acertando mesmo, com o medo indo embora junto com o prisioneiro.
é, quem sabe...