sexta-feira, 20 de março de 2009

“A sensação era de eu ia sair do corpo, de tanto desespero, e nunca mais conseguir voltar. Ia desfalecer ali mesmo, perder a garganta de tanto gritar. E não havia ninguém ali que entendesse, ou que pudesse colocar um fim naquilo. O que para mim era o meu pior pesadelo, para os outros não passava duma brincadeira. Eu corria, pra lugar nenhum, mas nada adiantava. Aquilo continuava a me perseguir, a se mexer constantemente atrás de mim.”
Pra quem não sabe eu tenho pânico, fobia de bichinhos de pelúcia. E esse ai foi o meu sonho de hoje de manhã. Eu acordei gritando e chorando de tal forma que as pessoas da casa se assustaram por aqui. Pensaram que eu tivesse morrendo ou algo do tipo. Quando me acordaram e eu contei o que tinha acontecido, só não deram risada porque viram o meu estado de verdade.
A fobia é uma das coisas que mais me impressiona nessa vida. O jeito como ela se infiltra nas mais diversas áreas das nossas vidas, e como ela tem o poder de controlar muita coisa por ai. O meu pânico, eu tenho desde criancinha. E desde criancinha os bichinhos de pelúcia me assustam de tal maneira que eu perco o controle do meu corpo na frente de um. Já desmaiei, já tive convulsões, e as pessoas nunca entenderam. Tem sempre um espertinho achando que é charme, e que decide me testar.
Nesse sonho que eu tive hoje tudo foi bem parecido com a realidade. Quando eu era pequena, meu pai e meus primos costumavam me perseguir pelo quintal da minha avó, com uma imitação de pelúcia do pica pau, achando que se eu realmente chegasse perto, eu ia ver que não tinha medo nenhum. E na verdade tudo acontecia exatamente como a descrição do sonho que eu escrevi aqui.
O mais estranho do medo é que por ele não ser racional, depois de uma experiência assim, você fica horas e horas ainda tentando se convencer de que finalmente está tudo bem. O seu coração continua acelerado, e até a sua visão fica prejudicada. São dez da manha, e eu to aqui há pelo menos meia hora tentando me convencer que era só um sonho.

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