já parou pra pensar em quanta coisa a gente faz movido por um "eu tenho que fazer"?
e quanta coisa a gente deixa de fazer simplesmente por acreditar em "eu não consigo fazer ..."?
acho que a gente repara de menos nesses pontos da vida, e vai vivendo no automático. esperando um monte de garantias que na verdade não existem tambem.
é uma forma de assumir o controle de coisas que na verdade não se controlam, mas fica a impressão que dessa forma a gente tá ali, no comando.
perder a gente perde todos os dias, o tempo todo.
aceitar isso é o difícil. aceitar que no momento em que se conquista já se pode perder é complicado, e são muitas as formas que a gente encontra pra tentar não lidar com isso.
mas ai que tá o problema, porque no controle ou não, perdas são parte da vida, e é elas que ditam o fluxo. eu tinha mania de falar que eu não consigo lidar com a dor da perda porque cada um que se vai, leva, arranca um pedacinho meu. hoje, eu percebi que a dor na verdade é por causa do que me foi acrescentado, e não retirado. eu compreendi que sofrer a perda faz parte, assim como aceitar ela tambem. negando não se chega a lugar algum.
a partir do momento que se entende isso, ai é possível viver de um jeito muito mais libertador, sem querer controlar tudo ao mesmo tempo. ou pelo menos começar a querer viver assim, porque é uma luta diária que se trava.
acho que quando você entende o que a perda significa você acaba perdendo um pouco o medo dela, e do tanto que a palavra carrega. só se perde o que já não se tinha mais, e isso é uma verdade. e fica dentro da gente a importância daquilo tudo que rolou.

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