"Nunca morri, nem tampouco me sinto fortalecida. Então vamos brincar de ser gente adulta, vamos nos reunir e beber. Falar de como somos crescidos, independentes, de como é sofrida a vida na cidade grande, e de como vencemos no auge da nossa pós adolescência tardia. Celebrar nossas pequenas misérias com champagne barato, flores de plástico e maconha seca. Vamos invadir nossas privacidades e nos amar pelo mesmo motivo que nos odiamos. Encontraremos conforto em antigas teorias que nos dizem o mundo em léxicos enfeitados. Brindaremos ao amor, ao tesão, ao dinheiro como se, de fato, os tivéssemos. Vamos rir de nós mesmos. Vamos rir do vizinho pelado e seu pau pequeno, das putas flácidas e desdentadas, do solitário e ranzina dono da banca de jornais. Vamos rir sem culpa. Dançaremos ao som de músicas que nos preenchem algum espaço vazio cuja existência desconhecemos. Nunca estivemos errados, nem tampouco certos. Então vamos."
Acho que tá na hora de acabar com esse espaço vazio. E substitui-lo por alguma outra coisa.
Nunca estivemos errados, mas tenho que repetir: tampouco certos.
As vezes é sensação que eu vivi tanto que fui deixando pedaços por ai. Tem vezes que simplesmente acaba não valendo a pena.
Arriscou-se demais por muito pouco, em termos de vida. E agora o peso tá ai, pra ser carregado por uma eternidade.

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